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Segunda-feira, Abril 13, 2009

DEUS NÃO MUDA - James Ian

DESU NÃO MUDA
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Aprendemos que a Bíblia é a Palavra de Deus — lâmpada para nossos pés e luz para o caminho. Aprendemos que nela encontraremos o conhecimento de Deus e sua vontade para nossa vida. Cremos nisso tudo, pois o que dizem é verdade. Tomamos então da Bíblia e começamos a sua leitura. Lemos constante e conscientemente, pois estamos ansiosos, queremos realmente conhecer a Deus.
Mas, à medida que lemos, ficamos mais e mais confusos. Embora fascinados, não nos alimentamos. Nossa leitura não nos ajuda, ficamos espantados e, para dizer a verdade, às vezes deprimidos. Descobrimo-nos questionando se vale a pena prosseguir com a leitura da Bíblia.

DOIS MUNDOS DISTINTOS

Qual é o problema? Bem, basicamente é este: A leitura da Bíblia nos introduz em um mundo bastante novo para nós — o do Oriente Próximo como ele era há milhares anos, primitivo e bárbaro, agrícola e sem mecanização. Nesse mundo se desenrola a ação da história bíblica. Nele encontramos Abraão, Moisés, Davi e os demais personagens e observamos como Deus lida com eles. Ouvimos os profetas denunciar a idolatria e ameaçar com a condenação do pecado. Vemos o Homem da Galiléia operar milagres, discutir com os judeus, morrer pelos pecadores, ressuscitar da morte e subir ao céu. Lemos as cartas dos mestres cristãos dirigidas contra erros estranhos que, tanto quanto sabemos, não existem hoje.
O interesse sentido é intenso, mas tudo nos parece muito distante. Tudo pertence àquele mundo, não a este; e sentimos como se olhássemos de fora para dentro do mundo bíblico. Somos simples espectadores, nada mais. Pensamos: "Sim, Deus fez tudo isso naquela época, e foi maravilhoso para o povo envolvido na história, mas como isso pode nos afetar hoje? Não vivemos no mesmo mundo. Como pode o registro das palavras e ações de Deus nos tempos bíblicos, a narrativa de seu trato com Abraão, Moisés, Davi e os outros, nos ajudar, a nós que vivemos no século XXI?".
Não podemos ver nenhum ponto de ligação entre esses dois mundos, e por isso somos tomados pelo pensamento recorrente de que o que lemos na Bíblia não se aplica a nós. E, como acontece muitas vezes, quando os fatos são emocionantes e gloriosos, a sensação de estar excluídos deles nos deprime consideravelmente.

Muitos leitores da Bíblia vivenciam tal sentimento, mas nem todos sabem como enfrentá-lo. Alguns cristãos parecem se conformar em seguir adiante, crendo realmente no registro bíblico, mas não procuram nem esperam para si tal intimidade e relação direta com Deus, como os homens da Bíblia tiveram. Tal atitude, muito comum hoje, é na verdade a confissão da incapacidade de ver uma solução para o problema.
Entretanto, como esse sentimento de distância da experiência bíblica de Deus pode ser superada? Muitas coisas poderiam ser ditas, mas o ponto crucial é que esse sentimento de distância é uma ilusão oriunda da busca, em lugar errado, da ligação entre nossa situação e a de vários personagens da Bíblia. É verdade que, em termos de espaço, tempo e cultura, tanto eles como a época histórica à qual pertencem estão bem distantes de nós. Mas a ligação entre eles e nós não se encontra nesse nível.
A ligação é o próprio Deus. Pois o Deus que eles tiveram é o mesmo Deus de hoje. Para deixar essa idéia mais precisa, podemos dizer que se trata exatamente do mesmo Deus, pois Deus não muda de modo algum. Assim, o que devemos salientar a fim de perder o sentimento de que há um abismo intransponível entre a posição dos personagens bíblicos e as pessoas de nosso tempo é a verdade da imutabilidade de Deus.

NÃO SÃO DOIS DEUSES DISTINTOS

Deus não muda. Vamos ampliar este pensamento.

1. A vida de Deus não muda. Ele é "desde a antigüidade" (Sl 93:2) "o rei eterno" 0r 10:10), "incorruptível" (Rm 1:23; RA), "O único que é imortal" (1Tm 6:16). "Antes de nascerem os montes e de criares a terra e o mundo, de eternidade a eternidade tu és Deus" (Si 90:2). A terra e o céu, diz o salmista, "perecerão, mas tu permanecerás; envelhecerão como vestimentas. Como roupas tu os trocarás e serão jogados fora. Mas tu permaneces o mesmo, e os teus dias jamais terão fim" (Sl 102:26,27); "eu sou o primeiro", diz Deus, "e sou o último" (Is 48:12).
As coisas criadas têm começo e fim, mas isso não se aplica ao Criador. A resposta que se deve dar à pergunta feita por uma criança: "Quem fez Deus?" é simplesmente que Deus não teve de ser feito, pois sempre existiu. Ele existe para sempre e é sempre o mesmo. Deus não envelhece, sua vida não aumenta nem diminui. Ele não ganha novas forças nem perde a que possui. Não amadurece nem se desenvolve. Ele não se torna mais forte nem mais fraco, nem mais sábio à medida que o tempo passa. "Ele não pode mudar para melhor", escreveu Arthur W. Pink1, "pois já é perfeito; e sendo perfeito não pode mudar para pior"2. A diferença primordial e fundamental entre o Criador e suas criaturas é que elas são
mutáveis e sua natureza admite mudança, ao passo que Deus é imutável e nunca pode deixar de ser o que é. Isso é expresso no hino: Crescemos e nos desenvolvemos como folhas na árvore, Murchamos e perecemos — mas nada muda a ti.

Tal é o poder da própria "vida indissolúvel" (Hb 7:16) de Deus.

2. O caráter de Deus não muda. Tensão, choque ou lobotomia podem alterar o caráter de uma pessoa, mas nada altera o caráter de Deus. No curso da vida humana, os gostos, a perspectiva e o temperamento podem mudar radicalmente. Alguém gentil, equilibrado, pode se tornar amargo e irritadiço. Uma pessoa de bom gênio pode se tornar cínica e insensível. Mas com o Criador nada disso acontece. Ele nunca se torna menos verdadeiro, misericordioso, justo ou melhor do que sempre foi. O caráter de Deus é hoje, e sempre será, exatamente como era nos tempos bíblicos.
É instrutivo neste ponto trazer à lembrança as duas vezes em que Deus revelou seu "nome" no livro de Êxodo. O "nome" de Deus revelado é, por certo, mais que apenas uma etiqueta, trata-se da revelação do que ele é relativamente ao ser humano.
Em Êxodo 3 lemos como Deus anunciou seu nome a Moisés: "Eu sou o que Sou" (v. 14), expressão da qual Yahweh (Jeová, o SENHOR) é na verdade uma forma resumida (v. 15). Esse "nome" não descreve a Deus, declara apenas sua existência e eterna imutabilidade; uma lembrança à humanidade de que ele tem vida em si mesmo e de que o que ele é agora será eternamente. Em Êxodo 34, entretanto, lemos como Deus "proclamou o seu nome: o SENHOR" a Moisés relacionando as várias facetas de seu caráter santo, "SENHOR, SENHOR Deus compassivo e misericordioso, paciente, cheio de amor e de fidelidade, que mantém o seu amor a milhares e perdoa a maldade, a rebelião e o pecado. Contudo, não deixa de punir o culpado; castiga os filhos e os netos pelo pecado de seus pais, até a terceira e a quarta gerações" (v. 6 e 7).
Esta proclamação complementa a de Êxodo 3 — ao dizer-nos o que Yahweh é de fato — e esta complementa aquela ao expressar que Deus é para sempre o que naquele momento, há três mil anos, afirmou ser a Moisés. O caráter moral de Deus é imutável. Assim Tiago, numa passagem que trata da bondade e santidade de Deus, sua generosidade para com os homens e hostilidade para com o pecado, menciona a Deus como aquele "em quem não pode existir variação ou sombra de mudança" (Tg 1:17; RA).

3. A verdade de Deus não muda. As pessoas às vezes falam coisas que não querem dizer de fato apenas porque não conhecem a própria mente. Do mesmo modo, porque sua visão muda, não raro descobrem a incapacidade de sustentar o que disseram no passado. Todos nós às vezes temos de anular nossas palavras porque deixaram de expressar o que realmente pensamos; temos de engolir as palavras porque a realidade dos fatos as nega.
O discurso do ser humano é instável, mas isso não acontece com as palavras de Deus. Elas permanecem para sempre como expressões permanentemente válidas de sua mente e de seu pensamento. Nenhuma situação o induz a anular suas palavras; nenhuma mudança de opinião lhe requer correção de idéias. Isaías escreve: "Toda a carne é erva [...] seca-se a erva [...] mas a palavra de nosso Deus permanece eternamente" (Is 40:6; RA). DO mesmo modo o salmista diz: "A tua palavra, SENHOR, para sempre está firmada nos céus" (Si 119:89) e "[...] todos os teus mandamentos são verdadeiros [...] tu os estabeleceste para sempre" (v. 151,152). A palavra traduzida por "verdadeiros" no último versículo apresenta a idéia de estabilidade.
Ao ler a Bíblia, precisamos lembrar, portanto, que Deus ainda cumpre todas as promessas, ordens, declarações de propósitos e palavras de admoestação endereçadas aos cristãos do Novo Testamento. Elas não são relíquias de eras passadas, mas a revelação eternamente válida da mente divina para seu povo, em todas as gerações, enquanto este mundo existir. Assim como o Senhor mesmo disse "A Escritura não pode falhar" (Jo 10:35; RA), nada pode anular a verdade eterna de Deus.

4. Os caminhos de Deus não mudam. Deus lida com os pecadores como fazia na história bíblica. Ele ainda mostra sua liberdade e poder de distingui-los, agindo de modo que alguns ouçam o Evangelho enquanto outros não. Leva alguns a ouvi-lo e a se arrependerem, deixando outros na incredulidade. Ao agir assim, ensina aos santos que ele não deve misericórdia a ninguém e que é apenas por sua graça, e não por esforço deles, que os santos encontraram a vida.
Deus abençoa aqueles a quem dirige seu amor de modo que se tornam humildes, para que toda a glória possa ser apenas sua. Ele odeia os pecados de seu povo, e usa todo o tipo de sofrimento e dor, quer internos quer externos, para desviar da transigência e da desobediência o coração das pessoas. Ele busca a convivência com seu povo e envia-lhe tanto alegrias como tristezas a fim de que deixem de amar a outras coisas para se ligarem inteiramente a ele.
Deus ensina o cristão a valorizar os dons prometidos, fazendo-o esperar por eles e obrigando-o a orar com insistência para obtê-los, antes que ele os conceda. Assim, lemos nos registros da Bíblia sobre como Deus lidou com seu povo, e ainda atua. Seus objetivos e atos permanecem constantes. Nunca, em tempo algum, ele age em desacordo com seu caráter. Os caminhos do ser humano, sabemos, são pateticamente inconstantes, mas não são assim os de Deus.

5. Os propósitos de Deus não mudam. "Aquele que é a glória de Israel não mente nem se arrepende", declarou Samuel, "pois não é homem para se arrepender" (1Sm 15:29). Balaão dissera o mesmo: "Deus não é homem para que minta, nem filho de homem para que se arrependa. Acaso ele fala, e deixa de agir? Acaso promete, e deixa de cumprir?" (Nm 23:19).
Arrepender significa rever uma opinião e mudar o plano de ação. Deus nunca faz isso; ele não precisa, pois seus planos são baseados no conhecimento e controle completos de todas as coisas no passado, presente e futuro, de modo que não pode haver emergências nem desenvolvimentos inesperados que o tomem de surpresa: "Uma de duas coisas levam a pessoa mudar de idéia e a rever seus planos: falta de precaução ao antecipar todos os acontecimentos ou falta de precaução ao executá-los. Mas por ser Deus tanto onisciente como onipotente nunca precisa rever seus decretos" (Arthur W. Pink).4 "Mas os planos do SENHOR permanecem para sempre, os propósitos do seu coração, por todas as gerações" (Sl 33:11).
O que Deus executa no tempo ele já planejara desde a eternidade, e tudo o que planejou na eternidade realiza no tempo. Tudo o que, em sua Palavra, ele se comprometeu a realizar será infalivelmente consumado. Lemos, portanto, sobre a "natureza imutável do seu propósito", que levará à alegria completa da herança prometida, e sobre o juramento imutável pelo qual confirmou seu desígnio a Abraão, o arquétipo do cristão, tanto para a segurança deste como para a nossa também (Hb 6:17). Isso acontece com todos os planos anunciados por Deus. Eles não mudam. Parte alguma de seu plano eterno jamais mudará.
É verdade que existem alguns textos (Gn 6:6; ISm 15:11; 2Sm 24:16; Jn 3:10; Jl 2:13) que falam sobre o arrependimento de Deus. A referência em cada caso é sobre a anulação do tratamento prévio dispensado a certos homens, como conseqüência da reação deles a esse tratamento. Mas não há insinuação de que essa reação não tenha sido prevista, nem que Deus tenha sido tomado de surpresa, e que ela não estivesse estabelecida em seu plano eterno. Não há mudança alguma em seu propósito eterno quando ele começa a agir em relação a uma pessoa de maneira diferente.

6. O Filho de Deus não muda. Jesus Cristo "é o mesmo ontem, hoje e para sempre" (Hb 13:8), e seu toque ainda possui o antigo poder. Ainda permanece a verdade de que "ele é capaz de salvar definitivamente aqueles que, por meio dele, aproximam-se de Deus, pois vive sempre para interceder por eles" (Hb 7:25). Jesus nunca muda. Este fato é forte consolação para todo o povo de Deus.

DEVEMOS SER COMO ELES

Onde está então o sentimento de distância e de diferença entre os cristãos dos tempos bíblicos e nós? Foi eliminado. Baseado em quê? Na imutabilidade divina. Amizade com ele, confiança em suas palavras, vida pela fé, permanência nas promessas de Deus, são essencialmente as mesmas verdades para nós hoje como o foram para os cristãos do Antigo ou do Novo Testamento. Esse pensamento nos traz conforto à medida que enfrentamos as perplexidades de cada dia; no meio de tantas mudanças e incertezas da vida neste novo milênio, Deus e seu Cristo permanência os mesmos — poderosos para salvar.
Mas esse pensamento também traz um desafio penetrante. Se nosso Deus é o mesmo Deus dos cristãos do Novo Testamento, como podemos justificar nossa satisfação com uma experiência de comunhão com ele em um plano de conduta cristã tão inferior ao deles? Se Deus é o mesmo, esta é uma questão que nenhum de nós pode sofismar.
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James Ian

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