VOCÊ NÃO ESTÁ NA PÁGINA PRINCIPAL. CLIQUE AQUI PARA RETORNAR
Terça-feira, Setembro 08, 2009
Quinta-feira, Maio 21, 2009
DEUS TEM O CONTROLE DE TUDO! - Arthur Walkington
Daniel 11:32: "E aos violadores da aliança ele com lisonjas perverterá, mas o povo que conhece ao seu Deus se tornará forte e fará proezas."
Isaias 55:8-9: "Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o SENHOR. Porque assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos."
Romanos 11:33: "O profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!".
Efésios 1:1: "Paulo, apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus, aos santos que estão em Éfeso, e fiéis em Cristo Jesus."
Romanos 11:36: "Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém."
1 Crônicas 29:10-11: "Por isso Davi louvou ao SENHOR na presença de toda a congregação; e disse Davi: Bendito és tu, SENHOR Deus de Israel, nosso pai, de eternidade em eternidade. Tua é, SENHOR, a magnificência, e o poder, e a honra, e a vitória, e a majestade; porque teu é tudo quanto há nos céus e na terra; teu é, SENHOR, o reino, e tu te exaltaste por cabeça sobre todos."
1 Tm 6:15: "A qual a seu tempo mostrará o bem-aventurado, e único poderoso Senhor, Rei dos reis e Senhor dos senhores."T
Quarta-feira, Maio 20, 2009
Seis Componentes do Arrependimento - Thomas Watson
Componente 1: Percepção do pecado. A primeira parte do remédio de Cristo são olhos abertos (At 26.18). Este é um dos fatos importantes a observarmos no arrependimento do filho pródigo: ele caiu em si (Lc 15.17). Ele se viu como pecador e nada mais do que um pecador. Antes que um homem venha a Cristo, ele tem primeiramente de vir a si mesmo. Em sua descrição de arrependimento, Salomão considerou isto como o primeiro componente: “Caírem em si” (1 Rs 8.47). Uma pessoa deve, antes de tudo, reconhecer e considerar o que é o seu pecado e conhecer a praga de seu coração, antes que seja devidamente humilhado por ela. A primeira coisa que Deus criou foi a luz. Portanto, a primeira coisa que deve haver em uma pessoa arrependida é a iluminação. “Agora, sois luz no Senhor” (Ef 5.8). Os olhos são feitos tanto para ver como para chorar. Antes de lamentarmos pelo pecado, temos de vê-lo. Disso, podemos inferir que, onde não percepção do pecado, não pode haver arrependimento. Muitos que acham falhas nos outros não vêem nenhum erro em si mesmos... Pessoas são vendadas por ignorância e amor próprio. Por isso, não vêem o que deforma a sua alma. O Diabo faz com elas como o falcoeiro faz à sua ave: ele as cega e as leva encapuzadas ao inferno.
Componente 2: Tristeza pelo pecado. “Suporto tristeza por causa do meu pecado” (Sl 38.18). Ambrósio chamava essa tristeza de amargura da alma. A palavra hebraica que se traduz por ficar triste significa “ter a alma, por assim dizer, crucificada”. Isso precisa estar presente no verdadeiro arrependimento. “Olharão para aquele a quem traspassaram... e chorarão” (Zc 12.10), como se sentissem os cravos da cruz penetrando o seu lado. Uma mulher pode esperar ter um filho sem dores, assim como alguém pode esperar arrepender-se sem tristeza. Aquele que crê sem duvidar, põe sob suspeita a sua fé; aquele que se arrepende sem entristecer-se nos deixa incertos de seu arrependimento... Esta tristeza pelo pecado não é superficial; é uma agonia santa. Nas Escrituras, ela é chamada de quebrantamento de coração: “Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito, não o desprezarás, ó Deus” (Sl 51.17); um rasgamento do coração: “Rasgai o vosso coração” (Jl 2.13). As expressões bater no peito (Jr 31.19; Lc 18.13), cingir o cilício (Is 22.12), arrancar os cabelos (Ed 9.3) — todas essas expressões são apenas sinais exteriores de tristeza. Essa tristeza implica:
Componente 3: Confissão de pecado. A tristeza é um sentimento tão forte, que terá expressões. Suas expressões são lágrimas nos olhos e confissão nos lábios. “Os da linhagem de Israel... puseram-se em pé e fizeram confissão dos seus pecados” (Ne 9.2). Gregório de Nazianzo chamou a confissão de “um bálsamo para a alma ferida”.A confissão é auto-acusadora. “Eu é que pequei” (2 Sm 24.17)... E a verdade é que por meio desta auto-acusação impedimos Satanás de acusar-nos. Em nossas confissões, nos identificamos com orgulho, infidelidade e paixão. Assim, quando Satanás, chamado de acusador dos irmãos, lançar essas coisas contra nós, Deus lhe replicará: “Eles já acusaram a si mesmos. Então, Satanás, você está destituído de motivos legítimos; suas acusações surgiram muito tarde...” Agora, ouça o que diz o apóstolo Paulo: “Se nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados” (1 Co 11.31).Entretanto, homens ímpios, como Judas e Saul, não confessaram seus pecados? Sim, mas as suas confissões não eram verdadeiras. Para que a confissão de pecado seja correta e genuína, estas... qualificações precisam estar presentes:
Terça-feira, Maio 19, 2009
A SABEDORIA DE DEUS - J. IAN
GRAÇA BARATA - Dietrich Bonhoeffer
A graça preciosa é o Evangelho que se deve procurar sempre de novo, o dom pelo qual se tem que orar, a porta à qual se tem que bater.Essa graça é preciosa porque chama ao discipulado, e é graça por chamar ao discipulado de Jesus Cristo; é preciosa por custar a vida ao ser humano, e é graça por, assim, lhe dar a vida; é preciosa por condenar o pecado, e é graça por justificar o pecador. Essa graça é sobretudo preciosa por ter sido preciosa para Deus, por ter custado a Deus a vida de seu Filho – “vocês foram comprados por preço” – e porque não pode ser barato para nós aquilo que custou caro para Deus. A graça é preciosa sobretudo porque Deus achou que se Filho fosse preço demasiado caro para pagar pela nossa vida, antes o deu por nós. A graça preciosa é a encarnação de Deus.A graça preciosa é a graça como santuário de Deus, que tem que ser preservado do mundo, não lançado aos cães; e por isso é graça como palavra vida, a Palavra de Deus que ele próprio pronuncia de acordo com seu beneplácito. Chega até nós como gracioso chamado ao discipulado de Jesus; vem como palavra de perdão ao espírito angustiado e ao coração esmagado. A graça é preciosa por obrigar o indivíduo a sujeitar-se ao jugo do discipulado de Jesus Cristo. As palavras de Jesus: “O meu jugo é suave e o meu fardo é leve” são expressões da graça.Por duas vezes Pedro ouviu o chamado: “Segue-me!” Foi esta a primeira e a última palavra de Jesus ao seu discípulo (Mc 1.17; Jo 21.22). Toda sua vida se situa entre esses dois chamados. Da primeira vez, Pedro, no Logo de Genesaré; ao ouvir o chamado de Jesus, largara as redes e abandonara a profissão, seguindo a Jesus em obediência cega. Da última vez, é o Ressurreto que o encontra em seu antigo ofício, novamente no Lago de Genesaré; e mais uma vez o chamado é: “Segue-me!” No espaço entre esses dois chamados, havia toda uma vida de discipulado de Cristo. No meio dela encontra-se a confissão de que Jesus é o Cristo de Deus. Por três vezes a mesma mensagem foi anunciada a Pedro, no início, no fim e em Cesaréia de Filipe, ou seja, a mensagem de que Cristo é o seu Senhor e Deus. A graça de cristo que chama: “Segue-me!” é a mesma que se revela a Pedro em sua confissão do Filho de Deus.Houve, pois, uma intervenção tripla da graça no caminho de Pedro, a mesma graça proclamada em três ocasiões diferentes; ela era, assim, de fato a graça do próprio Cristo e não a graça que Pedro atribuía a si mesmo. Foi essa mesma graça de Cristo que venceu esse discípulo, levando-o a largar tudo por amor do discipulado; foi ela que o impeliu a uma confissão blasfema aos ouvidos do mundo; foi ela que chamou o infiel Pedro à comunhão derradeira, a do martírio. A graça e o discipulado permanecem indissoluvelmente ligados a vida de Pedro. Ele havia recebido graça preciosa.
Quinta-feira, Maio 07, 2009
NATUREZA E GRAÇA - F. Schaeffer
GRAÇA
NATUREZA
Este diagrama pode ser ampliado nos seguintes moldes, mostrando o que se inclui em ambos os níveis:
GRAÇA, O NÍVEL SUPERIOR
DEUS O CRIADOR; O CÉU E AS COISAS CELESTES; O INVISÍVEL E SUA INFLUÊNCIA NA TERRA; A ALMA HUMANA; A UNIDADE
NATUREZA, O NÍVEL INFERIOR
A CRIAÇÃO; A TERRA E AS COISAS TERRENAS; O VISÍVEL E O QUE FAZEM A NATUREZA E O HOMEM NA TERRA; O CORPO HUMANO; A DIVERSIDADE
Até esta época, as formas de pensamento haviam sido bizantinas. As realidades celestiais capitalizavam toda importância e se revestiam de tal santidade que não eram retratadas de maneira realista. É o que se observa com relação a Maria e a Jesus Cristo: - não são nunca retratados de forma realista nesta fase. Retratam-se apenas símbolos. Assim, se examinarmos qualquer dos mosaicos do fim do período bizantino no batistério de Florença, por exemplo, não é um retrato de Maria que veremos, mas um símbolo que representa Maria.
Por outro lado, a natureza em si – as árvores e as montanhas – não se revestia de interesse para o artista, exceto como sendo parte desse mundo em que vivemos. O alpinismo, por exemplo, simplesmente não exercia apelo algum como escalada a ser intentada pelo prazer de subir montanhas. Como veremos, esse esporte como tal só veio a surgir realmente quando ao fim se despertou um novo interesse pela natureza. Destarte, antes de Tomás de Aquino, dava-se esmagadora ênfase às coisas celestes, tão remotas e transcendentes, tão santas e sublimes, representadas através de símbolos, com pouco interesse pela natureza como tal. Com o advento de Tomás de Aquino temos o verdadeiro surto da Renascença humanista.
A concepção tomista da natureza e graça não envolvia completa descontinuidade dos dois princípios porquanto sustentava Tomás de Aquino um conceito de unidade que as correlacionava. Desde os tempos de Aquino, por muitos anos a seguir, houve empenho constante de estabelecer-se uma unidade da graça e natureza, bem como a esperança de que a racionalidade houvesse de dizer algo a respeito de uma e outra.
Uma boa porção de coisas excelentes adveio do surto do pensamento renascentista. De modo particular a natureza passou a usufruir de conceito mais apropriado. Do ponto de vista bíblico a natureza é importante porquanto criada por deus e, por isso, não deve ser menosprezada. Nem devem ás coisas relativas ao corpo ser desprezadas quando comparadas com as da alma. Tudo que reflete a beleza se reveste de importância. A sexualidade em si mesma não é um mal. Tudo isto se integra no fato de que Deus nos outorgou na própria natureza uma dádiva excelente, pelo que, se o homem a desdenha, está na realidade atentando contra a dignidade daquilo que é criação divina. Destarte em certo sentido está desprezando o próprio Deus, pois que despreza o que Deus criou.
Tomás de Aquino e o Autônomo
Ao mesmo tempo estamos agora em condições de ver o significado do diagrama da natureza e graça numa perspectiva diferente. Embora bons resultados adviessem da posição de maior realce conferida à natureza, isso deu lugar a muita coisa de cunho destrutivo, como se verá. Na concepção tomista a vontade humana estava caída, mas não o intelecto. Dessa noção incompleta do conceito bíblico da Queda, defluiram todas as dificuldades subseqüentes. O intelecto humano se tornou autônomo. Em um aspecto era o homem agora independente, autônomo.
Esta esfera do autônomo em Tomás de Aquino assume várias formas. Um dos resultados, por exemplo, foi o desenvolvimento da teologia natural. Nesta perspectiva, a teologia natural é uma teologia que se poderia formular independentemente das Escrituras. Embora fosse um estudo autônomo, ele esperava que resultasse numa unidade e dizia existir uma correlação inegável entre a teologia natural e a Bíblia. O ponto importante, porém, no que se seguiu foi que uma [área completamente autônoma assim se estabelecia.
Com base neste princípio de autonomia, também a filosofia se tornou livre e se separou da revelação. Portanto, a filosofia começou a criar asas, por assim dizer, voando por onde quer que lhe aprazia, deixando à margem as Escrituras. Não quer isto dizer que essa tendência não se manifestara em tempos anteriores, apenas que de agora em diante se patenteia de maneira mais completa.
Nem se limitou à teologia filosófica de Tomás de Aquino. Bem logo se fez sentir no mundo da arte.O processo educacional hodierno tem um ponto falho por não levar em conta as associações naturais entre as diferentes disciplinas. Tendemos a estudá-las todas á parte, em linhas paralelas.
Há diversas maneiras em que esta associação de teologia, filosofia e arte emergiu em seqüela a Tomás de Aquino.
Pintores e Escritores
O primeiro artista a ser assim influenciado foi Cimabue (1240-1302), mestre de Giotto (1267-1337). Visto que Tomás de Aquino viveu de 1225 a 1274, estas influências se fizeram sentir bem depressa no campo da arte. Ao invés de situarem todos os motivos da arte acima da linha divisória entre a natureza e a graça na maneira simbólica do Bizantino, Cimabue e Giotto começaram a pintar as coisas da natureza como natureza. Neste período de transição a mudança não ocorreu toda de uma vez. Havia, por isso, a tendência, a princípio, de se pintarem os elementos de menos importância no quadro de forma naturalista, continuando, porém a se representar Maria, por exemplo como um Símbolo.
Depois Dante (1265-1321) passou a escrever de maneira como estes artistas pintava. De repente, tudo começa a alterar-se no sentido de que a natureza veio a tornar-se importante. Idêntica expressão pode-se perceber nos renomados escritores Petrarca (1304-1374) e Bocácio (1313-1375). Petrarca foi o primeiro de quem se ouviu dizer jamais haver escalado montanhas sem ser pelo simples prazer de fazê-lo. Tal interesse pela natureza como Deus a criou é, como já vimos, bom e apropriado. Tomás de Aquino, porém, havia aberto caminho a um Humanismo Autônomo, uma filosofia autônoma e, tão logo o movimento adquiriu força, a tendência se tornou um verdadeiro dilúvio.
Natureza versus Graça
O princípio vital a notar-se é que, à medida que a natureza se fazia autônoma, passava a ”devorar” a graça. Através da Renascença, de Dante a Miguel Ângelo, gradualmente a natureza se fez mais inteiramente autônoma. Ela libertou-se de Deus à medida que os filósofos humanistas começaram a operar cada vez mais à vontade. Quando a Renascença chegou ao seu clímax, a natureza havia devorado a graça.De várias maneiras pode-se demonstrar isto. Comecemos com uma miniatura conhecida como Grandes Heures de Rohan (Grandes Horas de Rohan), pintada por volta de 1415. O motivo que explora é uma estória miraculosa do período. Maria, José e o menino, em fuga para o Egito, passam por um campo em que um homem está semeando, e um milagre se realiza. Germina o grão semeado, e cresce no espaço de mais ou menos uma hora, e se mostra em condições de ser ceifado. Quando o homem se põe a cortar o trigo, aparecem os soldados que vinham em perseguição à família fugitiva e indagam: “Quanto tempo faz que passaram por aqui?” Responde o lavrador que na ocasião ele estava semeando aquele cereal e, diante disso, os soldados retrocedem. Não é, porém, propriamente a estória que nos interessa mas a maneira como se dispõem as figuras na miniatura. Em primeiro lugar, há uma notória diferença no tamanho das figuras de Maria e José, do menino, do criado e do jumento, que ocupam a parte superior da tela e a dominam pelas dimensões avultadas, e as minúsculas representações do soldado e do homem que empunha a foice na porção inferior do quadro. Em segundo lugar, a mensagem se evidencia não só mercê do porte das figuras superiores mas ainda pelo fato de que o fundo dessa porção é coberto de linhas douradas. Há, pois, total expressão pictórica da graça e da natureza.
Este é o antigo conceito, a graça avultadamente importante, a natureza merecendo pouco destaque.
No Norte Europeu, Van Eyck (1380-1441) foi quem abriu a porta à natureza numa nova maneira. Começou a pintar a natureza real, tal qual se mostra. Em 1410, data muito importante na história da arte, pintou uma miniatura de reduzidas proporções. Mede apenas doze por oito centímetros. É, contudo, um quadro de tremendo significado porque representa a primeira paisagem real. Deu origem a todos os fundos de quadro que surgiram posteriormente no decurso da Renascença. O tema é o batismo de Jesus, mas a cena abrange apenas diminuta área no quadro como um todo. O fundo apresenta um rio, um castelo muito real, casas, colinas e outros elementos – paisagem natural: a natureza se tornou importante. Depois desta, paisagens do gênero se difundiram rapidamente do norte ao sul da Europa.
Surge logo o estágio seguinte. Em 1435, Van Eyck pintou a Madona do Chanceler Rolin – hoje no Museu do Louvre em Paris. A característica significante é que o Chanceler Rolin, ao defrontar-se com Maria, tem as mesmas dimensões que ela. Maria não mais se retrata remota, o Chanceler não mais uma figura minúscula, como teria sido o caso em relação aos patrocinadores do período anterior. Embora tenha as mãos em postura de prece, aparece em pé de igualdade com Maria. De agora em diante a pressão se faz sentir: como resolver este equilíbrio entre a graça e a natureza?
Neste ponto cabe uma menção a Masaccio (1401-1428), outro vulto importante. Ele dá o próximo grande passo na Itália após Giotto, que faleceu em 1337, por introduzir perspectiva e espaço reais. Pela primeira vez, a luz é projetada da direção própria. Por exemplo, na maravilhosa Capela Carmina em Florença, há uma janela que ele levou em consideração ao pintar os quadros nas paredes, de sorte que as sombras nas pinturas caem na posição que a luz advinda dessa janela determinada. Estava Masaccio fitando a natureza real, verdadeira. Pintava de tal modo que seus quadros pareciam refletir a exata perspectiva da realidade em três dimensões; dão a sensação de atmosfera; e ele introduziu a composição real. Viveu apenas até os vinte e sete anos; entretanto, abriu quase de completo a porta à natureza. Com a obra de Masaccio, assim como a maior pare dos trabalhos de Van Eyck, a ênfase à natureza foi AL que poderia ter levado à pintura um verdadeiro ponto de vista bíblico.
Com Filippo Lippi (1406-1469), salta à vista que a natureza começa a “devorar” a graça de modo mais sério do que se viu na Madona do Chanceler Rolin, de Van Eyck. Bem poucos anos antes, artista nenhum ousaria pensar em pintar Maria em moldes naturais – pintar-lhe-ia apenas um símbolo. Quando, porém, Filippo Lippi executou o quadro da Madona em 1465 a mudança que se patenteava era surpreendente. Retratava uma jovem extremamente formosa com uma criança nos braços em uma paisagem que sem dúvida fora grandemente influenciada pela obra de Van Eyck. Esta Madona já não mais era um símbolo remoto, distante, de cunho transcendente, era uma linda jovem com uma criança. Mas há algo ainda que devemos saber acerca deste quadro. A jovem que representava Maria era nada menos que sua amante, fato conhecido de toda Florença. Ninguém teria ousado fazer isso alguns anos antes. A natureza estava matando a graça.
Na França, Fouquet (cerca de 1416-1480) pintou, por volta de 1450, a amante do rei, Agnes Sorel, como Maria. Todos quantos conheciam a Corte de perto, vendo o quadro, sabiam tratar-se da então amante do rei. Ademais, Fouquet pintou-a com um dos seios a mostra. Enquanto nos tempos precedentes a representação seria de Maria amamentando o menino Jesus, agora era a amante do rei, com um seio à vista – e a graça estava morta!
O ponto a acentuar-se é que a natureza, uma vez tratada como coisa autônoma, reveste-se de caráter destrutivo. Tão logo se estabelece esse reino autônomo verifica-se que o elemento inferior começa a corroer o superior. Daqui por diante referir-me-ei a estes dois elementos como o “andar inferior” e o “andar superior”.
Leonardo DaVinci e Rafael
Leonardo da Vinci é a figura que em seguida se impõe à consideração. Ele introduz um novo fator no fluxo da história e mais do que qualquer vulto que o precedeu é a individualidade que mais se aproxima do homem moderno. Viveu de 1452 a 1519, faixa que se reveste de não reduzida importância porquanto coincide com os primórdios da Reforma Protestante. Integra também, e com acentuada relevância, a assinalada mudança que se manifestou no pensamento filosófico. Cósimo, o velho de Florença, que faleceu em 1464, foi o primeiro a perceber a importância da filosofia de Platão. Tomás de Aquino havia introduzido o pensamento aristotélico. Cósimo começou a bater-se pelo Neo-Platonismo. Ficino (1433-1499), o grande neo-platonista, foi mestre de Lourenço, o Magnífico (1449-1492). Nos dias de Leonardo da Vinci era o Neo-Platonismo força dominante em Florença. Assumiu essa relevância simplesmente porque se fazia mister encontrar algo a colocar-se no “andar superior”. O Neo-platonismo era guindado a essa privilegiada posição com vistas a restaurar idéias e ideais – isto é, coisas universais.
GRAÇA – UNIVERSAIS
NATUREZA - PARTICULARES
Um quadro que ilustra este ponto é A Escola de Atenas, de Rafael (1483-1520). Na sala do Vaticano em que se encontra esta obra famosa, Rafael pintou em uma das paredes um mural que representa a Igreja Católica Romana que contrabalança, na parede oposta, A Escola de Atenas, que tipifica o pensamento pagão clássico. Em A Escola de Atenas Rafael retrata a diferença entre o elemento aristotélico e o platônico. Os dois filósofos ocupam o centro do quadro, Aristóteles com as mãos voltadas para o chão, Platão a apontar para o alto.
Este problema pode-se expressar de outra forma. Onde encontrar a unidade depois de conceder plena liberdade à diversidade? Se são libertadas, de que modo conservá-las num todo uno? Leonardo se debateu com esse problema. Ele era um pintor neo-platônico, e, muitos o tem dito – julgo que com muita propriedade – o primeiro matemático moderno. Percebeu ele que, se partirmos da racionalidade autônoma, chegaremos á matemática (matéria que se pode medir); e a matemática trata somente de particulares, nunca de universais. Portanto, não iremos nunca além da mecânica. A uma pessoa que se apercebia de quão necessária era a unidade, era patente a insuficiência deste esquema. Procurou, pois pintar a alma. Não a alma cristã; a alma era-lhe a universalidade, a alma, por exemplo, do amor ou da árvore.
ALMA – UNIDADE
MATEMÁTICA – PARTICULARIDADES – MECÂNICA
Uma das razões por que jamais pintou de modo intenso foi simplesmente porque procurou desenhar, sempre desenhar, com vistas a ser capaz de retratar o universal . Não é necessário dizer que jamais o conseguiu.
Giovanni Gentile, um dos maiores expoentes do pensamento filosófico italiano, falecido em tempos relativamente recentes, disse que Leonardo morreu em desalento porquanto não queria abrir mão da esperança de uma unidade racional entre os particulares e o universal. Para haver escapado a esse desalento, necessário teria sido que Leonardo fosse criatura diferente. Ter-lhe-ia sido imperativo desvencilhar-se desse anelo por uma unidade acima e abaixo da linha. Leonardo, que não era pensador da linhagem moderna, jamais abandonou a esperança de um campo de conhecimento unificado. Em outras palavras, não abriria mão da esperança do homem erudito que, no passado, se caracterizou por esta insistência em um todo unificado de conhecimento.
F. Schaeffer
Sábado, Abril 18, 2009
AS ESCRITURAS E O PECADO - Arthur Walkington
Até mesmo o homem natural pode (e com freqüência o faz) atirar-se ao estudo das Escrituras com o mesmo entusiasmo e prazer que faria se estudasse as ciências. Quando assim faz, aumenta o seu cabedal de conhecimentos, mas também aumenta o seu orgulho. Tal como o químico atarefado em fazer experiências interessantes, o pesquisador intelectual da Palavra é invadido de satisfação ao fazer ali alguma descoberta; mas a alegria deste último não é mais espiritual do que a alegria daquele primeiro.
Outrossim, tal como os sucessos de um químico geralmente acentuam o seu senso de importância própria, levando-o a olhar com desdém para outros, que sejam mais ignorantes que ele mesmo, assim também, desafortunadamente, dá-se no caso daqueles que investigam a numerologia, a tipologia, a profecia bíblica e outros temas dessa natureza.
O estudo da Palavra de Deus pode ser levado a efeito com base em vários motivos. Alguns lêem-na a fim de satisfazerem seu orgulho literário. Em certos círculos tornou-se algo respeitável e popular a obtenção de um conhecimento geral do conteúdo da Bíblia, simplesmente por ser considerado como defeito de educação a ignorância dela. Outros lêem a Bíblia para satisfazer seu senso de curiosidade, como o fariam com qualquer outro livro famoso. Ainda outros lêem-na para satisfazer seu orgulho sectarista. Esses consideram um dever estar bem familiarizados com as crenças particulares de sua própria denominação, pelo que também buscam ansiosamente textos de prova que dão apoio ao que eles chamam de ''nossas doutrinas''. Ainda há aqueles que lêem a Bíblia com a finalidade de argumentar com êxito com aqueles que discordam de suas opiniões. Em toda essa atividade, entretanto, não há qualquer pensamento acerca de Deus, não há qualquer anelo pela edificação espiritual, e, portanto, não há qualquer beneficio real para a alma.
Assim sendo, de que maneira nos podemos beneficiar da Bíblia? A passagem de II Timóteo 3:16,17 não nos fornece clara resposta para essa pergunta? Lemos ali: "Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra." Observemos o que aqui é omitido: as Sagradas Escrituras não nos foram dadas a fim de satisfazer nossa curiosidade intelectual e nem nossas especulações carnais, e sim para habilitar-nos para toda boa obra, e isso mediante o ensino, a reprovação e a correção. Envidaremos esforços por ampliar isso com a ajuda de outros trechos bíblicos.
1. O indivíduo se beneficia espiritualmente quando a Palavra o convence de pecado.
Este é o seu primeiro préstimo: revelar a nossa depravação, desmascarar a nossa vileza, tornar conhecida a nossa iniquidade. A vida moral de um homem pode ser irrepreensível, seu trato com os seus semelhantes pode ser sem faltas; mas quando o Espírito Santo aplica a Palavra ao seu coração e à sua consciência, abrindo os seus olhos fechados pelo pecado para que perceba a sua relação e a sua atitude para com Deus, então ele exclama: "Ai de mim! Estou perdido!" (Isaías 6:5). É desse modo que toda a alma verdadeiramente salva é levada a perceber a necessidade que tem de Cristo. "Os sãos não precisam de médicos, e, sim, os doentes" (Lucas 5:31). Contudo, somente quando o Espírito aplica a Palavra, com poder divino, é que qualquer indivíduo é levado a sentir-se enfermo, enfermo até à morte.
Essa convicção, que impressiona o coração com o fato de que o pecado produziu tremenda devastação na constituição humana, não se restringe à experiência inicial, que precede de imediato à conversão. De cada vez que Deus bendiz a sua Palavra em meu coração, sou levado a sentir quão longe ando do padrão que Ele me apresenta, a saber: "...tornai-vos santos também vós mesmos em todo vosso procedimento" (I Pedro 1:15). Aqui, por conseguinte, temos o primeiro teste a ser aplicado: quando leio acerca dos tristes fracassos de diferentes personagens das Escrituras, isso me faz perceber quão infelizmente parecido com eles eu sou? E quando leio sabre a vida bem-aventurada e perfeita como a de Cristo, isso me faz reconhecer quão terrivelmente diferente sou eu dEle?
2. O indivíduo se beneficia espiritualmente quando a Palavra o faz entristecer-se por causa do pecado.
Com respeito ao ouvinte do solo rochoso foi dito que "...esse é o que ouve a palavra e a recebe logo, com alegria; mas não tem raiz em si mesmo, sendo antes de pouca duração..." (Mateus 13:20, 21). Porém, acerca daqueles que foram convencidos de pecado, sob a pregação de Pedro, está registrado que eles se sentiram compungidos em seus corações (ver Atos 2:37). O mesmo contraste se verifica hoje. Muitos ouvem um sermão floreado ou um discurso sobre a ''verdade dispensacional'', que exibe a capacidade de oratória ou mostra a habilidade intelectual do orador, mas que, usualmente, não contém qualquer aplicação à consciência. Aquela exposição é recebida com aprovação, mas ninguém é humilhado diante de Deus e nem é levado a andar mais perto dEle, por ela.
Porém, deixe-se que um servo fiel do Senhor (o qual pela graça divina não busca adquirir reputação por ''brilhantismo'') faça os ensinamentos bíblicos exercerem pressão sabre o caráter e a conduta, desvendando os tristes fracassos até mesmo dos melhores entre o povo de Deus, e embora a multidão despreze o mensageiro, as pessoas realmente regeneradas sentir-se-ão gratas pela mensagem que as leva a se lamentarem diante de Deus e a clamarem: "Desventurado homem que sou!" (Romanos 7:24). Assim acontece quando lemos pessoalmente a Palavra. E assim sucede quando o Espírito Santo a aplica de tal maneira que sou levado a ver e a sentir minha corrupção íntima, para que eu seja verdadeiramente abençoado.
Que palavra encontramos no trecho de Jeremias 31:19: "Na verdade, depois que me converti, arrependi-me; depois que fui instruído, bati no peito; fiquei envergonhado, confuso, porque levei o opróbrio da minha mocidade!"
Meu prezado amigo, você conhece algo parecido com essa experiência? Os seus estudos da Palavra de Deus produzem um coração quebrantado e o levam a humilhar-se perante Deus? Fica você convicto de seus pecados, de tal modo que é levado a arrepender-se diariamente perante ele? O cordeiro pascal tinha de ser comido com ''ervas amargas'' (Êxodo 12:8). Por semelhante modo, quando realmente nos alimentamos da Palavra, o Espírito Santo a torna "amarga" para nós, antes de tornar-se doce ao nosso paladar. Notemos a ordem das coisas, no trecho de Apocalipse 10.9: "Fui pois, ao anjo, dizendo-lhe que me desse o livrinho. Ele então me fala: Toma-o, e devora-o; certamente ele será amargo ao teu estômago, mas na tua boca, doce coma mel". Essa será sempre a ordem da experiência: primeiramente deve vir a lamentação, e somente depois vem o consolo (Mateus 5:4); primeiro a humilhação, e depois a exaltação (I Pedro 5 :6).
3. O indivíduo se beneficia espiritualmente quando a Palavra o conduz à confissão de pecado.
As Escrituras são proveitosas para a "repreensão" (II Timóteo 3:16); e a alma honesta está pronta a reconhecer as suas próprias faltas. Mas acerca do indivíduo carnal é declarado: "Pois todo aquele que pratica o mal, aborrece a luz e não se chega para a luz, a fim de não serem argüidas as suas obras" (João 3:20). "Deus tenha misericórdia de mim, um pecador", é o clamor dos corações renovados; e cada vez que somos revivificados pela Palavra (Salmo 119), recebemos nova revelação e renovada convicção de nossas transgressões aos olhos de Deus. "O que encobre as suas transgressões, jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia" (Provérbios 28:13). Não pode haver prosperidade nem frutificação espirituais (Salmos 1:3), enquanto ocultarmos em nosso seio as nossas culpas secretas; somente quando são livremente reconhecidas perante Deus, e isso com detalhes, é que desfrutaremos de Sua misericórdia.
Não há paz real para a consciência e nem descanso para o coração, enquanto sepultarmos a carga do pecado não confessado. O alívio só nos é outorgado se confessarmos o pecado a Deus. Notemos bem a experiência de Davi: "Enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos, pelos meus constantes gemidos todo o dia. Porque a tua mão pesava dia e noite sobre mim; e o meu vigor se tornou em sequidão de estio." (Salmos 32:3,4).
Essa linguagem figurada mas vigorosa lhe parece ininteligível? ou a sua própria história espiritual a explica? Há muitos versículos nas Escrituras que nenhum comentário pode interpretar satisfatoriamente, mas que a experiência pessoal pode fazê-lo. Verdadeiramente bem-aventuradas são as palavras seguintes: "Confessei-te o meu pecado e a minha iniqüidade não mais ocultei. Disse: Confessarei ao SENHOR as minhas transgressões; e tu perdoaste a iniqüidade do meu pecado." (Salmos 32:5)
4. O indivíduo se beneficia da Palavra, espiritualmente falando, quando ele odeia o pecado com maior profundidade.
"Vós, que amais o SENHOR, detestai o mal: ele guarda as almas dos seus santos, livra-os da mão dos ímpios" (Salmos 97:10). "Não podemos amar a Deus sem odiar aquilo que Ele odeia. Não somente devemos evitar o mal, recusando-nos a continuar nele, mas também devemos declarar guerra contra ele, voltando-nos contra ele com indignação no íntimo" (C.H. Spurgeon).
Um dos testes mais seguros que se pode aplicar à professada conversão é a atitude do coração para com o pecado. Sempre que o princípio de santidade houver sido implantado, necessariamente haverá repulsa por tudo quanto é profano. E se nosso repúdio ao mal for genuíno, então seremos gratos quando a Palavra reprovar até mesmo o mal de que nem suspeitávamos.
Essa foi também a experiência de Davi: "Por meio dos teus preceitos consigo entendimento; par isso detesto todo caminho de falsidade" (Salmos 119:104). Observemos atentamente que não devemos meramente "abster-nos do pecado", pois "detesto"; e não somente a "alguns" ou "muitos" pecados, mas antes, a "todo caminho de falsidade", e não apenas a "todo mal" mas a "todo caminho de falsidade". E continua o salmista: "Por isso tenho por em tudo retos os teus preceitos todos, e aborreço todo caminho de falsidade" (Salmos 119:128).
No entanto, dá-se exatamente o contrário no caso do ímpio: "De que te serve repetires os meus preceitos e teres nos lábios a minha aliança, uma vez que aborreces a disciplina e rejeitas as minhas palavras? " (Salmos 50:16,17).
E em Provérbios 8:13, lemos: "O temor do SENHOR consiste em aborrecer o mal; a soberba, a arrogância, o mau caminho, e a boca perversa, eu os aborreço". Ora, esse temor piedoso nos vem através da leitura da Palavra (ver a passagem de Deuteronômio 17:18,19). Com razão, pois, é que alguém declarou: "Enquanto não odiarmos ao pecado, não poderemos mortificá-lo, ninguém clamará contra o pecado, como os judeus clamaram contra o Cristo: ''Crucifica-O! Crucifica-O!'', enquanto realmente não abominar o pecado como Ele foi abominado" (Edward Reyner, 1635).
5. O indivíduo se beneficia espiritualmente quando a Palavra o leva a abandonar o pecado.
"Aparte-se da injustiça todo aquele que professa o nome do Senhor" (II Timóteo 2:19). Quanto mais lemos a Palavra com o objetivo definido de descobrir o que é agradável e o que é desagradável ao Senhor, mais a Sua vontade tornar-se-á conhecida por nós; e se os nossos corações forem corretos diante dEle, mais ainda os nossos caminhos se harmonizarão com a Sua vontade. Então é que andaremos "na verdade" (II João 4).
No fim do sexto capítulo da segunda epístola aos Coríntios algumas promessas preciosas são dadas àqueles que se separarem dos incrédulos. Observemos, naquela passagem, a aplicação feita pelo Espírito Santo. Não diz o Senhor "Tendo, pois, ó amados, tais promessas, consolemo-nos e nos entreguemos à complacência...", e, sim: "Tendo, pois, ó amados, tais promessas, purifiquemo-nos de toda impureza, tanto da carne, como do espírito..." (II Coríntios 7:1).
"Vós já estais limpos, pela palavra que vos tenho falado" (João I5:3). Eis aqui uma outra importante regra, par meio da qual nos deveríamos testar com freqüência: a leitura e o estudo da Palavra de Deus está produzindo a purgação de minha conduta? Desde os dias antigos vinha sendo feita a indagação: "De que maneira poderá o jovem guardar puro o seu caminho?" E a resposta do salmista inspirado declara: ''Observando-o segundo a Tua Palavra" (Salmo119:9).
Sim, não basta ler a Palavra, crer nela ou memorizá-la; mas é preciso haver a aplicação pessoal da Palavra ao nosso "caminho". É quando "damos ouvidos" a exortações como aquelas que estipulam: "Fugi da impureza!" (I Coríntios 6:18), "Fugi da idolatria" (I Coríntios 10:14), "... foge destas cousas..." – da cobiça apaixonada pelo dinheiro (1 Tim. 6:11) e "Foge, outrossim, das paixões da mocidade" (II Tim. 2:22), é que o crente é levado a separar-se do mal, na prática; pois então o pecado não somente tem sido confessado, mas também tem sido "deixado" (ver Provérbios 28:13).
6. O indivíduo se beneficia espiritualmente quando a Palavra o fortalece contra o pecado.
As Sagradas Escrituras nos foram dadas não somente com o propósito de revelar-nos a nossa pecaminosidade inata, ou a fim de mostrar as muitas e muitas maneiras mediante as quais carecemos "da glória de Deus" (Romanos 3:23), mas igualmente para ensinar-nos como podemos obter livramento do pecado, como podemos ser livres de desagradar a Deus. "Guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti" (Salmos 119:11). E de cada um de nós é requerido o seguinte: "Aceita, pego-te, a instrução que profere, e põe as suas palavras no teu coração" (Jó 22:22).
O de que precisamos é, particularmente, dos mandamentos, das advertências, das exortações da Bíblia, para que sejam como que nosso tesouro particular; devemos memorizá-los, meditar sobre os mesmos, orar a seu respeito e pô-los em prática. Eis a única maneira eficaz de se evitar que um terreno qualquer seja invadido por ervas daninhas: é semear ali a boa semente: "...vence o mal com o bem" (Romanos 12:21). Por conseguinte, quanto mais "ricamente" estiver habitando em nós a Palavra de Cristo (ver Colossenses 3:16), menos espaço haverá para o exercício do pecado, em nossos corações e em nossas vidas.
Não é suficiente apenas assentirmos à veracidade das Escrituras, mas é necessário que elas sejam recebidas em nossos afetos. É uma verdade soleníssima aquela em que o Espírito Santo especifica a base da apostasia, "...porque ao amor da verdade eles não receberam" (II Tessalonicenses 2:10, grego).
"Se essa semente ficar apenas na língua ou na mente, para que seja apenas uma questão de palavras ou de especulação, não demorará muito para que desapareça. A semente que jaz à superfície será apanhada pelas aves do céu. Portanto, que cada qual a esconda no profundo do ser; que vá dos ouvidos para a mente, da mente para o coração; e que ela penetre cada vez mais profundamente. Somente ao exercer ela um domínio soberano sobre o coração, é que a receberemos na força de seu amor – quando ela é mais cara para nós que nossas concupiscências mais queridas, então nos apegamos a ela". (Thomas Manton).
Não há qualquer outra coisa que nos preserve das infecções deste mundo, que nos livre das tentações de Satanás, que se mostre preservativo tão eficaz contra o pecado, como a Palavra de Deus recebida em nossos afetos: "No coração tem ele a lei do seu Deus; os seus passos não vacilarão" (Salmos 37:31). Enquanto a verdade mostrar-se ativa em nosso íntimo, despertando-nos a consciência e sendo realmente amada par nós, seremos preservados da queda. Quando José foi tentado pela esposa de Potifar, respondeu ele: "... como, pois, cometeria eu tamanha maldade, e pecaria contra Deus?" (Gênesis 39:9). A Palavra de Deus se achava em seu coração, pelo que também prevaleceu sobre os seus desejos. Essa é a inefável santidade, o grandioso poder de Deus, o qual é poderoso tanto para salvar como para destruir.
Nenhum de nós sabemos em que ocasião será sujeito às tentações; portanto, é mister estarmos preparados contra elas. "Quem há entre vós que ouça isto? que atenda e ouça o que há de ser depois?" (Isaías 42:23). Sim, compete-nos antecipar o futuro e nos fortalecermos intimamente para ele, entesourando a Palavra em nossos corações, para as emergências futuras.
7. O indivíduo se beneficia espiritualmente quando a Palavra o leva a praticar o contrário do pecado.
"... o pecado é a transgressão da lei" (I João 3 :4). Deus diz: "Farás...'', mas o pecado retruca: "Não quero". Deus diz: "Não farás...", e o pecado diz: "Farei". Assim, pois, o pecado é a rebeldia contra Deus, é a determinação do indivíduo seguir o seu próprio caminho (ver Isa. 53:6).
Isso capacita-nos a entender que o pecado é uma espécie de anarquia no campo espiritual, o que pode ser comparado com o ato de sacudir uma bandeira vermelha no rosto de Deus. Ora, a atitude oposta ao pecado contra Deus é a submissão a Ele, da mesma maneira que o contrário da iniqüidade é a sujeição à lei. Portanto, praticar o contrário do pecado é andar na vereda da obediência.
Esta é uma das outras grandes razões pelas quais as Escrituras nos foram dadas: tornar conhecida a senda pela qual devemos andar, o que agrada a Deus. As Escrituras são proveitosas não somente para repreensão e correção, mas também para a "instrução na justiça".
Neste ponto, pois, encontramos outra importante regra mediante a qual devemos testar freqüentemente a nós mesmos: Os meus pensamentos estão sendo formados, o meu coração está sendo controlado e a minha conduta e as minhas obras estão sendo regulamentadas pela Palavra de Deus? Eis o que o Senhor exige: "Tornai-vos, pois, praticantes da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos" (Tiago 1:22). E aqui temos a declaração de como devem ser expressos a nossa gratidão e os nossos afetos por Cristo: "Se Me amais, guardareis os Meus mandamentos" (João 14:15). Para tanto, é necessário a ajuda divina. Davi orava: "Guia-me pela vereda dos teus mandamentos, pois nela me comprazo" (Salmos I19:35).
"Precisamos não somente de luz para reconhecermos o nosso caminho, mas também de um coração bem disposto para andar por esse caminho. A orientação é necessária por causa da cegueira das nossas mentes; e os impulsos eficazes da graça são necessários par causa da fraqueza dos nossos corações. Não cumpriremos o nosso dever mediante a mera noção das verdades, a menos que as abracemos e as sigamos". (Manton). Notemos que o salmista falava sabre a "... vereda dos Teus mandamentos..." Não aludia ele a algum caminho pessoal, auto-escolhido, e, sim, a um caminho bem demarcado; não se trata de uma estrada "pública", mas de uma vereda ''particular''.
Que tanto o escritor como o leitor se aquilatem, honesta e diligentemente, como na presença de Deus, pelas sete coisas acima enumeradas. O estudo da Bíblia, prezado amigo, o tem tornado uma pessoa mais humilde, ou mais orgulhosa – orgulhosa com o conhecimento que assim adquiriu? Esse estudo o elevou na estima de seus semelhantes, ou o rebaixou a um lugar inferior, na presença de Deus? Tem isso produzido, em sua experiência, uma atitude de mais profunda repulsa e asco par si mesmo, ou tornou-o mais complacente? Isso tem feito com que aqueles que entram em contato consigo, aos quais talvez você ensine, digam: "Gostaria de ter o seu conhecimento sobre a Bíblia!"; ou isso os tem levado a orar: "Senhor, dá-me a fé, a graça e a santidade que tens conferido a meu amigo ou professor?'' "Medita estas cousas, e nelas sê diligente, para que o teu progresso a todos seja manifesto" (1 Timóteo 4:15).
Segunda-feira, Abril 13, 2009
DEUS NÃO MUDA - James Ian
Mas, à medida que lemos, ficamos mais e mais confusos. Embora fascinados, não nos alimentamos. Nossa leitura não nos ajuda, ficamos espantados e, para dizer a verdade, às vezes deprimidos. Descobrimo-nos questionando se vale a pena prosseguir com a leitura da Bíblia.
DOIS MUNDOS DISTINTOS
Qual é o problema? Bem, basicamente é este: A leitura da Bíblia nos introduz em um mundo bastante novo para nós — o do Oriente Próximo como ele era há milhares anos, primitivo e bárbaro, agrícola e sem mecanização. Nesse mundo se desenrola a ação da história bíblica. Nele encontramos Abraão, Moisés, Davi e os demais personagens e observamos como Deus lida com eles. Ouvimos os profetas denunciar a idolatria e ameaçar com a condenação do pecado. Vemos o Homem da Galiléia operar milagres, discutir com os judeus, morrer pelos pecadores, ressuscitar da morte e subir ao céu. Lemos as cartas dos mestres cristãos dirigidas contra erros estranhos que, tanto quanto sabemos, não existem hoje.
O interesse sentido é intenso, mas tudo nos parece muito distante. Tudo pertence àquele mundo, não a este; e sentimos como se olhássemos de fora para dentro do mundo bíblico. Somos simples espectadores, nada mais. Pensamos: "Sim, Deus fez tudo isso naquela época, e foi maravilhoso para o povo envolvido na história, mas como isso pode nos afetar hoje? Não vivemos no mesmo mundo. Como pode o registro das palavras e ações de Deus nos tempos bíblicos, a narrativa de seu trato com Abraão, Moisés, Davi e os outros, nos ajudar, a nós que vivemos no século XXI?".
Não podemos ver nenhum ponto de ligação entre esses dois mundos, e por isso somos tomados pelo pensamento recorrente de que o que lemos na Bíblia não se aplica a nós. E, como acontece muitas vezes, quando os fatos são emocionantes e gloriosos, a sensação de estar excluídos deles nos deprime consideravelmente.
Muitos leitores da Bíblia vivenciam tal sentimento, mas nem todos sabem como enfrentá-lo. Alguns cristãos parecem se conformar em seguir adiante, crendo realmente no registro bíblico, mas não procuram nem esperam para si tal intimidade e relação direta com Deus, como os homens da Bíblia tiveram. Tal atitude, muito comum hoje, é na verdade a confissão da incapacidade de ver uma solução para o problema.
Entretanto, como esse sentimento de distância da experiência bíblica de Deus pode ser superada? Muitas coisas poderiam ser ditas, mas o ponto crucial é que esse sentimento de distância é uma ilusão oriunda da busca, em lugar errado, da ligação entre nossa situação e a de vários personagens da Bíblia. É verdade que, em termos de espaço, tempo e cultura, tanto eles como a época histórica à qual pertencem estão bem distantes de nós. Mas a ligação entre eles e nós não se encontra nesse nível.
A ligação é o próprio Deus. Pois o Deus que eles tiveram é o mesmo Deus de hoje. Para deixar essa idéia mais precisa, podemos dizer que se trata exatamente do mesmo Deus, pois Deus não muda de modo algum. Assim, o que devemos salientar a fim de perder o sentimento de que há um abismo intransponível entre a posição dos personagens bíblicos e as pessoas de nosso tempo é a verdade da imutabilidade de Deus.
NÃO SÃO DOIS DEUSES DISTINTOS
Deus não muda. Vamos ampliar este pensamento.
1. A vida de Deus não muda. Ele é "desde a antigüidade" (Sl 93:2) "o rei eterno" 0r 10:10), "incorruptível" (Rm 1:23; RA), "O único que é imortal" (1Tm 6:16). "Antes de nascerem os montes e de criares a terra e o mundo, de eternidade a eternidade tu és Deus" (Si 90:2). A terra e o céu, diz o salmista, "perecerão, mas tu permanecerás; envelhecerão como vestimentas. Como roupas tu os trocarás e serão jogados fora. Mas tu permaneces o mesmo, e os teus dias jamais terão fim" (Sl 102:26,27); "eu sou o primeiro", diz Deus, "e sou o último" (Is 48:12).
As coisas criadas têm começo e fim, mas isso não se aplica ao Criador. A resposta que se deve dar à pergunta feita por uma criança: "Quem fez Deus?" é simplesmente que Deus não teve de ser feito, pois sempre existiu. Ele existe para sempre e é sempre o mesmo. Deus não envelhece, sua vida não aumenta nem diminui. Ele não ganha novas forças nem perde a que possui. Não amadurece nem se desenvolve. Ele não se torna mais forte nem mais fraco, nem mais sábio à medida que o tempo passa. "Ele não pode mudar para melhor", escreveu Arthur W. Pink1, "pois já é perfeito; e sendo perfeito não pode mudar para pior"2. A diferença primordial e fundamental entre o Criador e suas criaturas é que elas são
mutáveis e sua natureza admite mudança, ao passo que Deus é imutável e nunca pode deixar de ser o que é. Isso é expresso no hino: Crescemos e nos desenvolvemos como folhas na árvore, Murchamos e perecemos — mas nada muda a ti.
Tal é o poder da própria "vida indissolúvel" (Hb 7:16) de Deus.
2. O caráter de Deus não muda. Tensão, choque ou lobotomia podem alterar o caráter de uma pessoa, mas nada altera o caráter de Deus. No curso da vida humana, os gostos, a perspectiva e o temperamento podem mudar radicalmente. Alguém gentil, equilibrado, pode se tornar amargo e irritadiço. Uma pessoa de bom gênio pode se tornar cínica e insensível. Mas com o Criador nada disso acontece. Ele nunca se torna menos verdadeiro, misericordioso, justo ou melhor do que sempre foi. O caráter de Deus é hoje, e sempre será, exatamente como era nos tempos bíblicos.
É instrutivo neste ponto trazer à lembrança as duas vezes em que Deus revelou seu "nome" no livro de Êxodo. O "nome" de Deus revelado é, por certo, mais que apenas uma etiqueta, trata-se da revelação do que ele é relativamente ao ser humano.
Em Êxodo 3 lemos como Deus anunciou seu nome a Moisés: "Eu sou o que Sou" (v. 14), expressão da qual Yahweh (Jeová, o SENHOR) é na verdade uma forma resumida (v. 15). Esse "nome" não descreve a Deus, declara apenas sua existência e eterna imutabilidade; uma lembrança à humanidade de que ele tem vida em si mesmo e de que o que ele é agora será eternamente. Em Êxodo 34, entretanto, lemos como Deus "proclamou o seu nome: o SENHOR" a Moisés relacionando as várias facetas de seu caráter santo, "SENHOR, SENHOR Deus compassivo e misericordioso, paciente, cheio de amor e de fidelidade, que mantém o seu amor a milhares e perdoa a maldade, a rebelião e o pecado. Contudo, não deixa de punir o culpado; castiga os filhos e os netos pelo pecado de seus pais, até a terceira e a quarta gerações" (v. 6 e 7).
Esta proclamação complementa a de Êxodo 3 — ao dizer-nos o que Yahweh é de fato — e esta complementa aquela ao expressar que Deus é para sempre o que naquele momento, há três mil anos, afirmou ser a Moisés. O caráter moral de Deus é imutável. Assim Tiago, numa passagem que trata da bondade e santidade de Deus, sua generosidade para com os homens e hostilidade para com o pecado, menciona a Deus como aquele "em quem não pode existir variação ou sombra de mudança" (Tg 1:17; RA).
3. A verdade de Deus não muda. As pessoas às vezes falam coisas que não querem dizer de fato apenas porque não conhecem a própria mente. Do mesmo modo, porque sua visão muda, não raro descobrem a incapacidade de sustentar o que disseram no passado. Todos nós às vezes temos de anular nossas palavras porque deixaram de expressar o que realmente pensamos; temos de engolir as palavras porque a realidade dos fatos as nega.
O discurso do ser humano é instável, mas isso não acontece com as palavras de Deus. Elas permanecem para sempre como expressões permanentemente válidas de sua mente e de seu pensamento. Nenhuma situação o induz a anular suas palavras; nenhuma mudança de opinião lhe requer correção de idéias. Isaías escreve: "Toda a carne é erva [...] seca-se a erva [...] mas a palavra de nosso Deus permanece eternamente" (Is 40:6; RA). DO mesmo modo o salmista diz: "A tua palavra, SENHOR, para sempre está firmada nos céus" (Si 119:89) e "[...] todos os teus mandamentos são verdadeiros [...] tu os estabeleceste para sempre" (v. 151,152). A palavra traduzida por "verdadeiros" no último versículo apresenta a idéia de estabilidade.
Ao ler a Bíblia, precisamos lembrar, portanto, que Deus ainda cumpre todas as promessas, ordens, declarações de propósitos e palavras de admoestação endereçadas aos cristãos do Novo Testamento. Elas não são relíquias de eras passadas, mas a revelação eternamente válida da mente divina para seu povo, em todas as gerações, enquanto este mundo existir. Assim como o Senhor mesmo disse "A Escritura não pode falhar" (Jo 10:35; RA), nada pode anular a verdade eterna de Deus.
4. Os caminhos de Deus não mudam. Deus lida com os pecadores como fazia na história bíblica. Ele ainda mostra sua liberdade e poder de distingui-los, agindo de modo que alguns ouçam o Evangelho enquanto outros não. Leva alguns a ouvi-lo e a se arrependerem, deixando outros na incredulidade. Ao agir assim, ensina aos santos que ele não deve misericórdia a ninguém e que é apenas por sua graça, e não por esforço deles, que os santos encontraram a vida.
Deus abençoa aqueles a quem dirige seu amor de modo que se tornam humildes, para que toda a glória possa ser apenas sua. Ele odeia os pecados de seu povo, e usa todo o tipo de sofrimento e dor, quer internos quer externos, para desviar da transigência e da desobediência o coração das pessoas. Ele busca a convivência com seu povo e envia-lhe tanto alegrias como tristezas a fim de que deixem de amar a outras coisas para se ligarem inteiramente a ele.
Deus ensina o cristão a valorizar os dons prometidos, fazendo-o esperar por eles e obrigando-o a orar com insistência para obtê-los, antes que ele os conceda. Assim, lemos nos registros da Bíblia sobre como Deus lidou com seu povo, e ainda atua. Seus objetivos e atos permanecem constantes. Nunca, em tempo algum, ele age em desacordo com seu caráter. Os caminhos do ser humano, sabemos, são pateticamente inconstantes, mas não são assim os de Deus.
5. Os propósitos de Deus não mudam. "Aquele que é a glória de Israel não mente nem se arrepende", declarou Samuel, "pois não é homem para se arrepender" (1Sm 15:29). Balaão dissera o mesmo: "Deus não é homem para que minta, nem filho de homem para que se arrependa. Acaso ele fala, e deixa de agir? Acaso promete, e deixa de cumprir?" (Nm 23:19).
Arrepender significa rever uma opinião e mudar o plano de ação. Deus nunca faz isso; ele não precisa, pois seus planos são baseados no conhecimento e controle completos de todas as coisas no passado, presente e futuro, de modo que não pode haver emergências nem desenvolvimentos inesperados que o tomem de surpresa: "Uma de duas coisas levam a pessoa mudar de idéia e a rever seus planos: falta de precaução ao antecipar todos os acontecimentos ou falta de precaução ao executá-los. Mas por ser Deus tanto onisciente como onipotente nunca precisa rever seus decretos" (Arthur W. Pink).4 "Mas os planos do SENHOR permanecem para sempre, os propósitos do seu coração, por todas as gerações" (Sl 33:11).
O que Deus executa no tempo ele já planejara desde a eternidade, e tudo o que planejou na eternidade realiza no tempo. Tudo o que, em sua Palavra, ele se comprometeu a realizar será infalivelmente consumado. Lemos, portanto, sobre a "natureza imutável do seu propósito", que levará à alegria completa da herança prometida, e sobre o juramento imutável pelo qual confirmou seu desígnio a Abraão, o arquétipo do cristão, tanto para a segurança deste como para a nossa também (Hb 6:17). Isso acontece com todos os planos anunciados por Deus. Eles não mudam. Parte alguma de seu plano eterno jamais mudará.
É verdade que existem alguns textos (Gn 6:6; ISm 15:11; 2Sm 24:16; Jn 3:10; Jl 2:13) que falam sobre o arrependimento de Deus. A referência em cada caso é sobre a anulação do tratamento prévio dispensado a certos homens, como conseqüência da reação deles a esse tratamento. Mas não há insinuação de que essa reação não tenha sido prevista, nem que Deus tenha sido tomado de surpresa, e que ela não estivesse estabelecida em seu plano eterno. Não há mudança alguma em seu propósito eterno quando ele começa a agir em relação a uma pessoa de maneira diferente.
6. O Filho de Deus não muda. Jesus Cristo "é o mesmo ontem, hoje e para sempre" (Hb 13:8), e seu toque ainda possui o antigo poder. Ainda permanece a verdade de que "ele é capaz de salvar definitivamente aqueles que, por meio dele, aproximam-se de Deus, pois vive sempre para interceder por eles" (Hb 7:25). Jesus nunca muda. Este fato é forte consolação para todo o povo de Deus.
DEVEMOS SER COMO ELES
Onde está então o sentimento de distância e de diferença entre os cristãos dos tempos bíblicos e nós? Foi eliminado. Baseado em quê? Na imutabilidade divina. Amizade com ele, confiança em suas palavras, vida pela fé, permanência nas promessas de Deus, são essencialmente as mesmas verdades para nós hoje como o foram para os cristãos do Antigo ou do Novo Testamento. Esse pensamento nos traz conforto à medida que enfrentamos as perplexidades de cada dia; no meio de tantas mudanças e incertezas da vida neste novo milênio, Deus e seu Cristo permanência os mesmos — poderosos para salvar.
Mas esse pensamento também traz um desafio penetrante. Se nosso Deus é o mesmo Deus dos cristãos do Novo Testamento, como podemos justificar nossa satisfação com uma experiência de comunhão com ele em um plano de conduta cristã tão inferior ao deles? Se Deus é o mesmo, esta é uma questão que nenhum de nós pode sofismar.
